Faleceu o Padre António Mendes Silva

 Entrevista ao Padre Mendes em 2002

“CONTINUEM A CRESCER NA FÉ”

Faleceu no Hospital de Santarém, ao início da manhã do dia 1 de Outubro de 2011, o Padre António Mendes Silva. Durante 32 anos foi pároco na freguesia de Assentiz, concelho de Torres Novas, onde esteve desde 14 de novembro de 1970 até agosto de 2002.

O seu corpo estará a partir das 15.30h na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, em Santarém onde será celebrada a Vigília de oração pelas 21.30h. Amanhã, domingo dia 2 de outubro de 2011, será transladado para a Igreja Catedral às 13.00h e a celebração das Solenes Exéquias às 16h. Após a missa seguir-se-á em cortejo fúnebre para a freguesia de Assentiz, no concelho de Torres Novas, onde irá ser sepultado no cemitério em Casais da Igreja.

 O “Fruto da Notícia” recorda a última entrevista concedida ao nosso jornal em 2002, ao deixar a paróquia de Assentiz. A mensagem principal que deixou aos paroquianos foi: “Continuem a crescer na fé”

 Pe. António Mendes Silva: Entrevista na hora da despedida

In Jornal “Fruto da Notícia” – Edição nº15 (agosto/setembro 2002)

Faria no próximo mês de novembro 32 anos que António Mendes Silva está a “pastorear” a Paróquia de Assentis.

Natural da localidade de Fontão, na freguesia de Loriga, concelho de Seia, distrito da Guarda, nasceu no dia 26 de Junho de 1934. Os seus pais já falecidos foram José Marques Silva e Isaura Mendes.

Prestes a partir concedeu-nos uma entrevista na qual deixa à população da freguesia a seguinte mensagem:

Continuem a crescer na Fé, pois ela é uma constante descoberta. Nunca sabemos tudo de Deus. Que a Paróquia se vá construindo como uma Família que em conjunto caminha para o Pai”.

 Nós «FRUTO DA NOTÍCIA» queremos dizer: “OBRIGADO”. Obrigado porque nos ensinou durante tantos anos o Caminho que nos leva ao Pai.

 

Fruto da Notícia (FN) – Como descobriu a sua vocação para o sacerdócio?

Pe.António Mendes (AM) – Além da fé vivida de meus pais e família, foi determinante o testemunho do meu pároco (Padre António Mendes Cabral Lages) que se doava de alma e coração sobretudo aos mais pobres, concretamente no orientá-los e, creio, mesmo em financiar, (ele era de família abastada) a construção das capelas, das várias comunidades. Até o chamavam o “Padre António das Capelas”.

 (FN) – Em que Seminário estudou?

(AM) – Estudei nos Seminários do então Patriarcado de Lisboa: Santarém, Almada e Olivais (Lisboa).

 (FN) – Em que data e onde recebeu o sacramento da Ordem?

(AM) – Em 15 de agosto de 1961, na Sé Patriarcal de Lisboa.

 (FN) – Onde cantou a sua primeira missa? Que recordação tem desse dia?

(AM) – Foi na capela do lugar de onde sou natural: Fontão, freguesia de Loriga, Seia.

Tenho belíssimas recordações. Todos contribuíram para a festa. Uns deram géneros, outros emprestaram loiças, outros deram dinheiro. Todos fizeram com que a Festa fosse de todos. Por sinal eu estava muito debilitado. Tinha perdido muito sangue do nariz, nessa semana e perdi os sentidos no fim do beija-mão e mal assisti ao almoço. Mas reparei que todos participaram e foi mandado a casa dos que não puderam estar – era muita gente -, algo de partilha. O almoço foi na sala onde aprendi as primeiras letras: a “Escola Primária” e a cozinha foi na rua.

 (FN) – Quais as paróquias por onde já passou?

(AM) – Nenhuma. Assentiz foi a primeira. Antes, de 1961 a 1970, estive como professor e educador (“Prefeito”) no Seminário de Santarém.

 (FN) – Há quantos anos está como pároco na freguesia de Assentiz?

(AM) – Faria em 14 de novembro 32 anos.

 (FN) – Que recordação tem dos primeiros contactos que teve com a população da nossa freguesia?

(AM) – Não foram fáceis os primeiros anos, devido a várias circunstâncias. Mas cá me fui adaptando. Lembro-me, por exemplo, que muitas vezes chegava a um lugar e afinal não era aquele, mas outro, onde tinha compromissos. Quanto às pessoas foram muito acolhedoras e eu muito tímido.

 (FN) – Quais as diferenças que nota na freguesia quando cá chegou e presentemente?

(AM) – Agora as pessoas são menos praticantes. Há uma certa clivagem. Dá-me a impressão de que os que são praticantes estão a tomar mais consciência da sua fé.

 (FN) – O elevado número de localidades da freguesia impossibilitou-o de realizar algumas tarefas?

(AM) – Sim. Muitas. A exigência de assistência do nível de localidade diminuiu muito a minha capacidade de ajuda no ensinamento da fé das pessoas e das comunidades. Creio que era muito proveitoso para todos haver menos centros de reunião, catequese, etc.

 (FN) – Quais os dados da nossa freguesia (por localidade se possível) dos últimos Censos da prática dominical?

(AM) – Por localidade, agora não me é possível referir, mas no geral houve 889 presenças, mais 18 papelinhos nulos, o que perfaz o total de 907. Assim, feitos os devidos ajustamentos ronda os 29% da população da Freguesia. As comunhões foram 537 o que dá cerca de 59% dos presentes nas celebrações.

 (FN) – Quais as diferenças entre os dois últimos Censos que foram praticados?

(AM) – Em 1982 eram cerca de 48 % de praticantes. Em 1991 cerca de 40% de praticantes. Em 2001 foi de 29 %.

 (FN) – Em que localidades da freguesia denota um aumento ou diminuição da prática religiosa? Algumas mais do que outras?

(AM) – Em vez de lugares, digo por zonas: na zona sul (Outeiros e Carvalhal) , assim como a zona este (Casal da Fonte, etc) nota-se uma acentuada descida na prática religiosa, embora esta tenha várias causas, que me perdoem não especificar. Na zona centro (Casais da Igreja, Assentis, Moreiras Pequenas, Beselga e Moreiras Grandes) são manifestamente mais praticantes.

 (FN) – De que modo a Igreja pode inverter a diminuição da prática religiosa que se tem vindo a verificar ao longo dos anos?

(AM) – Tornando-se cada cristão mais testemunha da sua Fé, de tal modo que seja pela vida que se veja valer a pena seguir Jesus.

 “Vede como eles se amam”,.. Assim começou o aumento da prática religiosa.

 (FN) – O Concílio Vaticano II veio renovar a Igreja. A Igreja atualmente precisa da realização de um novo Concílio?

(AM) – Julgo que o Concílio Vaticano II ainda não se cumpriu.

 (FN) – A dificuldade em falar que o tem afetado, ao longo dos últimos tempos já o levou a perguntar a Deus: “Porquê este sofrimento?”?

(AM) – Só como desabafo, porque sei que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”.

 (FN) – O sofrimento aproxima o Homem mais de Deus?

(AM) – Respondi na anterior.

 (FN) – Que resumo faz do seu mandato como pastor do “rebanho da nossa freguesia” ao longo destes anos?

(AM) – Foi o melhor que pude. Não levo sensação de frustração ou insucesso.

 (FN) – O que é que não conseguiu fazer ou ajudar a implantar na freguesia que gostaria de ter feito?

(AM) – O serviço organizado de ajuda fraterna (Cáritas, Conferência de S. Vicente de Paulo ou outro organismo semelhante).

 (FN) – Qual a mensagem que gostaria de deixar como herança à população da freguesia?

(AM) – Que continuem a crescer na Fé, pois ela é uma constante descoberta. Nunca sabemos tudo de Deus. É assim, que a Paróquia se vai construindo como uma Família que em conjunto caminha para o Pai.

 In Jornal “Fruto da Notícia” nº 15 (agosto/setembro 2002)

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