Já são poucos os burros na Freguesia de Assentis

Já são poucos os burros na Freguesia de Assentis
 
 

 

 

 

 

 

Sabia que…

Março é o mês dos burros

 

O mês de Março ficou conhecido pelo mês dos burros, porque é o mês da tosquia destes animais. Era ainda neste mês que em várias regiões do país decorria a feira dos burros.

 

 

Provérbios com burros

 

·   Albarda-se o burro à vontade do dono.

·   Para trás mija a burra.

·   A pensar morreu um burro.

·   Às vezes não se respeita o burro, mas a argola a que ele está amarrado.

·   Burro com fome, cardos come.

·   Burro que geme, carga não teme.

·   Burro velho não toma andadura; e se a toma, pouco dura.

·   Burro velho, mais vale matá-lo que ensiná-lo.

·   Burro velho, não aprende línguas.

·   Criado que faz o seu dever, orelhas de burro deve ter.

·   Depois do burro morto, cevada ao rabo.

·   Filho de burro não pode ser cavalo.

·   Mais vale burro vivo do que doutor morto.

·   Não é por grandes orelhas que o burro vai à feira.

·   Quando o burro é jeitoso, qualquer albarda lhe fica bem.

·   Quando um burro zurra, os outros abaixam as orelhas.

·   Queira ou não queira, o burro há-de ir à feira.

·   Quem come carne na véspera de Natal, ou é burro ou animal.

·   Todo o burro come palha, é preciso é saber dar-lha.

·   Um burro carregado de livros é um doutor.

·   Um olho no burro, outro no cigano.

·   Vozes (ou zurros) de burro não chegam aos céus.

·   Quem não pode, aluga um burro.

·   Andar de cavalo para burro.

·   Antes bom burro que ruim cavalo.

 

 

 

Expressões figurativas muito utilizadas

 

Não aprende nada, é um burro!    Indivíduo estúpido, teimoso.
Cabeça de burro!
    Pessoa estúpida
Está hoje como burro!
    Burrice, amuo.
Prender o burro!
    Amuar
Trabalhar como um burro!
    Trabalhar muito.
Vozes de burro não chegam ao céu!
Não se faz caso do que foi dito.
Descer da burra
    Ceder, transigir, depois de grande teima.
Burro de carga
    O que faz o seu trabalho e o dos outros

 

 

Qual é o substantivo colectivo que identifica um conjunto de burros?

São vários os colectivos possíveis para burros: récua, burricada, burrada. No Brasil quando estão carregados também chamam de comboio e tropa.

Qual é a voz do burro ?

O burro zurra, orneia, orneja, rebusna e zorna.

 

 

Outros burros

 

BURRA   Também se chama burra a uma armação composta de dois braços que servem de ângulo e uma travessa que pode ser colocada a alturas diferentes por meio de cavilhas. Serve para segurar e manter numa posição elevada uma das extremidades do madeiro que se quer serrar, estando a outra pousada no chão.

 

BURRO – Também se chama burro ao jogo de cartas no qual se dão três cartas a cada jogador, mostrando-se a que fica por cima do baralho para assinalar o trunfo. Ganha o jogador que tiver mais vazas.

 

 

Anedota: Um burro à porta da Igreja

 

Um burro morreu à frente de uma Igreja e, como uma semana depois, o corpo ainda se encontrava lá, o padre resolveu reclamar com o Presidente da Câmara local.

 – Senhor Presidente, há um burro morto à frente da Igreja há quase uma semana!
E o Presidente, que era um grande adversário político do padre, respondeu:
– Mas padre, não é o senhor que tem a obrigação de cuidar dos mortos?
– Sim senhor, sou eu! – respondeu o padre, com serenidade. Mas também é minha obrigação avisar os parentes!

 

Outras anedotas

Havia um grande tumulto na praça. Muitas pessoas aglomeravam-se em torno de um corpo estendido no chão. Um alentejano, que era baixinho, estava curioso para ver o acidentado, mas não conseguia ver através da multidão. De repente, teve uma ideia:
– Com licença! Com licença! Deixem-me passar! Eu sou parente do acidentado!
Todos foram abrindo espaço para o homem passar.

Quando este chega ao meio da roda, dá de caras com um burro que acabara de ser atropelado.

 

****************

Irritado com seus alunos, o professor lança um desafio.
– Aquele que se julgar burro, faça o favor de ficar em pé.
Todos continuaram sentados, no mais completo silêncio. Alguns minutos depois o melhor aluno da classe levantou-se.
– Quer dizer que você se acha burro? – pergunta o professor, indignado.
– Bem, para dizer a verdade, não! Mas fiquei com pena de ver o senhor aí, em pé sozinho!

 

 

Partilhei muitas horas de trabalho com dois burros

 

 

Ao longo dos anos que passei no Outeiro Pequeno, lembro-me que houve sempre um burro no palheiro da casa onde vivi e, mais tarde, até uma mula.

As recordações mais vivas que tenho desses animais referem-se a 2 desses burros, com os quais partilhei muitas horas de trabalho, fosse a regar as hortas (puxando o engenho horas a fio) fosse no transporte dos produtos do campo, fosse até nas eiras a debulhar os cereais e a gradar as terras.

O primeiro burro de que me lembro era um animal branco, enorme e muito pachorrento. Morreu de velho e foi enterrado no cerrado. Era um animal muito dócil, de olhos mansos, mas muito casmurro: quando não lhe apetecia trabalhar, era escusado insistir – dali não saía, dali ninguém o tirava. Nalguns casos, até para sair do palheiro e ser aparelhado com a albarda era preciso empurrá-lo, de outra forma mantinha-se inamovível. Mas nos dias sim era uma força da natureza: passava horas atrás de horas engatado no engenho a tirar água para regar a horta, sem um queixume. Mas como já tinha uma idade avançada e era muito lento, o rego da água era fraquinho e a horta era grande – lembro-me que no Verão, quando ia regar a horta de cima, chegava lá por volta das 9 da manhã e só acabava por volta das 3 da tarde. Quando a fome apertava, disfarçava com alguma coisa que houvesse na horta para comer: pepinos, nêsperas, peras, pêssegos carecas… Nalgumas vezes, quando estava a regar as leiras mais afastadas do poço, o burro indicava-me que já estava na hora do descanso, parando pura e  simplesmente e eu só me apercebia disso quando me faltava a água no rego.

O segundo burro de que me lembro era o oposto do anterior: novo, mais pequeno, nervoso, traquinas e de génio pouco simpático. Foi comprado em Lisboa a uns ciganos e despachado por comboio para a terra. Durante os primeiros tempos, era um burro espectacular: cheio de força, ágil, gracioso, mas desde cedo começou a manifestar uns comportamentos bizarros que de burro pouco tinham. Senão, reparem no seguinte: quando ele era retirado do palheiro e preso pela arreata à argola que havia junto da porta da rua para lhe ser colocada a albarda, havia duas alternativas: para cima, quando o destino era o Vale de Arneiro, junto à Sra. de Lurdes, onde o bicho sabia que ficava a pastar durante todo o dia, até que no final do mesmo regressava a casa, eventualmente com alguma carga relativa ao trabalho que tivesse sido desenvolvido na fazenda; para baixo, onde fatalmente o destino era o engenho e uma data de horas de trabalho intenso e desgastante. Ora, a partir de determinada altura era escusado tentar convencer o animal de que devia encaminhar-se para o tormento das hortas. Variadíssimas vezes montei o burro e dirigi-o para baixo, mas ele fincava os pés, dava meia volta e desatava a correr para cima. Comecei a ter que o arrastar à mão até praticamente junto da horta, com muito desgosto meu, uma vez que adorava montar o burro e pô-lo a trote e até a galope por aquelas estradas fora. Outras manifestações do seu mau feitio começaram a evidenciar-se: como já referi, trotar e galopar aquele animal era uma sensação do outro mundo. Ora, sempre que ia para o Vale de Arneiro ou outra fazenda mais distante, não perdia oportunidade de o pôr à prova, às vezes com a ajudita de uma verdasca. No início a coisa até corria de feição. O problema foi que a certa altura o burro começou a vingar-se destes açoites iniciando uma série de actos anti-sociais que acabaram por determinar a sua venda ao desbarato a uns ciganos para os lados do Entroncamento. Desde o derrube deliberado de quem estivesse montado, investindo propositadamente por debaixo de algum tanchão, até à tentativa de morder as pernas penduradas na albarda, o processo de degradação convivencial culminou com o ferrar do dente nas mãos da minha mãe que era nessa altura a única pessoa a quem ele deixava aproximar sem virar as patas traseiras para o coice esperado. Essa foi a gota de água que fez transbordar o cálice e a partir dessa altura não havia mais condições para a sua permanência junto da família. Mas que as saudades ficaram, lá isso ficaram…

 

Francisco ClérigoBurros Freguesia Assentis (10)Burros Freguesia Assentis (16)Burros Freguesia Assentis (26)Burros Freguesia Assentis (28)Burros Freguesia Assentis (34)Burros Freguesia Assentis (50)Burros Freguesia Assentis (73)Burros Freguesia Assentis (77)Burros freguesia Assentis a (1)Burros freguesia Assentis a (12)Burros freguesia Assentis a (16)Burros freguesia Assentis a (18)Burros freguesia Assentis a (23)Burros freguesia Assentis a (28)Burros freguesia Assentis a (34)Burros freguesia Assentis a (37)Burros freguesia Assentis a (47)Burros freguesia Assentis a (49)Burros freguesia Assentis a (53)Burros freguesia Assentis a (60)Burros freguesia Assentis a (76)Burros freguesia Assentis a (81)Burros freguesia Assentis a (82)Burros freguesia Assentis a (9)Burros freguesia Assentis b (12)Burros freguesia Assentis b (16)Burros freguesia Assentis b (28)Burros Freguesia Assentis

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