Aparições de Fátima testemunhadas por habitantes da Freguesia de Assentis

 

 

O Santuário de Fátima está a comemorar os 90 anos das aparições de Nossa Senhora aos 3 pastorinhos que ocorreram de Maio a Outubro de 1917.

O «Fruto da Notícia» preparou para esta edição um dossier especial, onde dá a conhecer alguns factos relativos às aparições e que estão interligados com a freguesia de Assentis e arredores.

Quando a notícia chegou às aldeias, rapidamente várias pessoas quiseram ir presenciar algumas das aparições. Os relatos, os testemunhos, fotografias, as curas extraordinárias e os ataques aos sacerdotes são algumas das revelações, algumas das quais desconhecidas para a maioria das pessoas. Depois de milhares de páginas consultadas entre vários livros, apresentamos o essencial relativo à freguesia de Assentis e Paço.

 

Outeiro Grande ou o Pequeno ?

 

Fotografia tirada a 13 de Julho de 1917 pelo Eng. Mário Godinho

No livro “Era uma Senhora mais brilhante que o sol” editado em 1966 pelo Pe. João  de Marchi, é referido pela Srª Maria da Capelinha o que ocorreu no dia da 2ª Aparição, a 13 de Junho de 1917. Estavam ali cerca de cinquenta pessoas:

 

“(…) Veio depois mais gente, até que, pelas onze, chegaram as crianças a quem Nossa Senhora tinha aparecido, com outras cachopas e mais pessoal que vinha de longe, perto de Torres Novas, do Outeiro – o Outeiro Grande ou o Pequeno, não sei bem. Viemos então todos para baixo até à azinheira. A Lúcia parou uns três metros na frente dela e ficou assim olhando para o Nascente. Estava tudo calado.(…)

Os que vieram de longe – continua a Srª Maria da Capelinha – começaram a merendar e a fazer oferecimentos aos pequenos que aceitaram só uma laranja cada um; mas eles não a comeram. Estou a vê-los ainda todos os três com as laranjitas nas mãos. (…)”

 

 

A notícia das Aparições em Fátima chegou à aldeia de Outeiro Pequeno, não pela imprensa, mas pelos carvoeiros. Há quem hoje ainda conte que duas mulheres de Outeiro Pequeno, Teresa e Guilhermina  foram a Fátima em segredo. Serão estas as mulheres referenciadas por Maria da Capelinha no dia da 2ª aparição, no livro do Pe. Marchi?

 

O primeiro automóvel na Cova da Iria

 

Há um registo fotográfico de corpo inteiro efectuado aos três videntes pelo eng. Mário Godinho, de Pé de Cão, Torres Novas no dia 13 de Julho de 1917, junto da Igreja Paroquial de Fátima, depois das aparições desse dia. Foi neste dia que as crianças tiveram a visão do inferno. Perante tal manifestação os seus rostos ficaram perturbados.

O automóvel de Mário Godinho, um Peugeot de matrícula S-2015 foi o primeiro auto que foi à Cova da Iria, conforme refere uma reprodução existente no arquivo do Santuário de Fátima.

 

Correspondência com a vidente Lúcia

 

Mas também existiu correspondência entre pessoas das nossas redondezas para os videntes. Foi o caso de Maria Clara Gândara e Silva, ao tempo professora primária em Carrascos, hoje Vila do Paço. Maria Clara era natural de Avelar, Ansião. A carta é datada de 13 de Outubro de 1917, e foi enviada à Lúcia pedindo graças a Nossa Senhora.

 

“Menina Lúcia, bastaria o seu nome para eu jamais a poder esquecer; ainda espero ir visitá-la um dia.

Como não é fácil poder-lhe falar no próximo dia 13, como tanto desejo, peço-lhe a esmola de dizer à Nossa Santíssima Mãe do Céu, que pelo sangue do seu Divino Filho me despache as súplicas das minhas novenas, e tudo quanto eu peço entre a Hóstia e o Cálice, e com o seu Divino auxílio prometo-lhes a minha gratidão. Não se esqueça menina Lúcia, não?”

 

Lúcia terá mandado dizer em carta escrita por outra pessoa, (pois nessa data ela ainda não sabia escrever) que tinha feito o pedido a Nossa Senhora, na aparição de 13 de Outubro.

 

Em resposta, Maria Clara envia-lhe uma nova carta datada de 22 de Outubro:

“Minha boa Menina Lúcia, recebi a sua prezada cartinha que muito lhe agradeço. Aguardo ansiosa, as graças prometidas pela Nossa querida Mãe do céu. E peço-lhe querida Lúcia, que continue a pedir por mim que eu prometo fazer o mesmo. Tenciono ir, aí muito breve e então falaremos mais. Beije por mim a boa Jacinta e recomende-me a sua família. Sua amiga.”

 

Testemunhos nos dias das aparições

 

Joaquim Vieira, 47 anos, de Assentis esteve presente em Fátima nos dias 13 de Agosto e 13 de Setembro de 1917:

 

“Em Agosto, no dia 13, apareceu uma nuvenzinha branca que caminhou do sul para o norte na direcção do nascente, tomando cores diversas muito lindas. O sol perdeu o brilho por completo, podendo olhar-se para ele, e mudou de cores. Em treze de Setembro, achava-me no mesmo lugar de costas voltadas para o norte. Estava um pouco desanimado por não ver coisa alguma de extraordinário como no mês anterior. Pessoas que estavam próximo de mim gritavam que tinham visto. De repente vejo passar uma coisa parecida com um balão de espuma que as crianças costumavam fazer soprando com um canudinho. Da primeira vez que a vi passar, calei-me. Via-a a segunda vez e então perguntei alto: O que é isto? Não posso explicar o que era. Perdi-a de vista uma dúzia de metros por cima da carrasqueira. Minha mulher não a viu porque estava a olhar para outro lado. Não fitei então o sol. No mesmo mês vi também um risco azul numa nuvem de cor escura caminhando em sentido contrário ao sol.”

 

 

Há um depoimento colhido a 13 de Novembro de 1917, pouco tempo depois das aparições que pertence a Maria Rosa Pereira, habitante do Casal da Fonte. Este depoimento é um dos documentos-chave e faz parte em 1930 do Relatório do Processo Canónico para a promulgação episcopal das aparições de 1917 e permissão oficial do Culto de Nossa Senhora de Fátima.

 

O êxtase

 

“A azinheira sobre a qual aparecia a misteriosa Senhora tinha pouco mais dum metro de altura e os três videntes, de pé ou ajoelhados junto dela, não podiam facilmente ser vistos e observados de frente pelas pessoas presentes. Todavia, num dos depoimentos sobre as aparições, encontram-se algumas palavras, que parecem denunciar o estado de êxtase na Lúcia, tanto mais que esse depoimento é de uma pessoa rude, embora fidedigna, que decerto nunca tinha ouvido falar nesse fenómeno sobrenatural. Trata-se do depoimento de Maria Rosa Pereira, de sessenta e três anos de idade, casada com José Pereira Lopes, do Casal da Fonte, freguesia de Assentis, concelho de Torres Novas. O reverendo António Lopes Laranjeiro, antigo professor do Seminário Patriarcal em Santarém, e então capelão no lugar das Moreiras Grandes, da mesma freguesia, declarou que conhecia perfeitamente a testemunha e que a considerava muito séria e absolutamente digna de crédito. Este depoimento foi feito a treze de Novembro de mil novecentos e dezassete e refere-se à aparição do dia treze de Outubro anterior. Diz a testemunha que nesse dia se achava próximo das crianças quando se deu a aparição, vendo-as muito bem do lugar onde estava. O povo comprimia-se cada vez mais, de tal maneira que as crianças corriam perigo de ser esmagadas, apesar do esforço que empregavam as pessoas que as rodeavam para conter aquela onda humana. Todos queriam ver e ouvir de perto, o que era impossível. A Jacinta distraída e cheia de medo chorava por causa dos empurrões que recebia. A Lúcia acariciava-a e pedia-lhe que não chorasse, porque ninguém lhe faria mal. O Francisco também estava distraído por causa do povo. De repente a prima disse-lhe que olhasse para a azinheira. O rosto da menina fez-se mais lindo do que era, tornando-se corada e adelgaçando-se-lhe os beiços. Maria Pereira, que se expressou nestes termos com a maior simplicidade e naturalidade, ignorando o que eles podiam significar de muito extraordinário, era pessoa de condição humilde, sem cultura literária, possuindo uma educação religiosa elementar. Não podia, por isso, de modo nenhum, constatar com precisão as características essenciais dum êxtase. Mais ainda. É certo que ela nunca ouviu pronunciar essa palavra ou, se a ouviu alguma vez, não compreendeu nem conhecia a sua significação teológica. O seu depoimento, feito com toda a ingenuidade da sua alma sincera e profundamente crente, oferece portanto, um grande valor e permite supor que, pelo menos na Lúcia, se verificou realmente, no último dia das aparições, e, por ventura, nos outros dias também, o fenómeno sobrenatural a que os teólogos místicos chamam êxtase. Acresce, como se depreende dos depoimentos dos videntes, que a Lúcia, algumas vezes, durante o tempo da aparição, parecia alheia a tudo quanto a rodeava, não tendo consciência do que se dizia e fazia ao pé dela e achando-se como que fora de si.”

 

Dois anos após as aparições, a Lúcia, pastorinha de Fátima esteve em Assentis, como atesta uma carta datada de 17 de Dezembro de 1919 enviada por Jacinto de Sousa Bento, habitante de Assentis para a Lúcia, onde lhe pede orações para a cura de uma menina da localidade (sem correcção ortográfica):

 

 “Lúcia pessote que pessas muito a Nossa Snrª que milhor a menina que foste ver aqui em Assentiz (…)” 

 

 

Jornais acusam padres

 

Vários jornais da época referenciaram alguns sacerdotes como os impulsionadores para o que ocorreu em Fátima. Entre os sacerdotes que foram apontados pela imprensa estava o Pe. Benevenuto de Sousa, de Outeiro Grande e o Pe. António Lopes Laranjeiro, pároco de Moreiras Grandes.

 

O jornal “O Debate” de 29 de Abril de 1920 põe em causa as aparições de Fátima.

 

“Segundo as nossas informações, os reaccionários de Vila Nova de Ourém, e imediações, projectam para o dia 13 do próximo mês de Maio, uma grande parada das suas forças, no sítio denominado Cova da Iria, ou seja aquele que há anos se celebrizou, mercê de indecorosa patacoada conhecida por “Milagre da Fátima”. Ao que parece, os exploradores da crença religiosa, não desistiram de inventar uma nova Senhora de Lourdes, modelo daquela, que para mistificação dos ingénuos, o famigerado padre Benevenuto instituiu próximo de Torres Novas. E para isso não hesitam em pôr em prática as mais audaciosas provocações ao povo liberal, no número das quais avulta aquela que estão premeditando, fazendo ressuscitar do ridículo em que caiu, uma das maiores burlas que nos últimos tempos foi cometida à sombra da religião católica. (…)”

 

O jornal “O Mundo” publicou um artigo a 20 de Outubro de 1921, intitulado “A Comédia de Fátima”

 

“A Cova da Iria local que os clericais escolheram para representar a comédia do “milagre” de Fátima, fica situada nos limites deste concelho, Torres Novas, Alcanena, Porto de Mós, Leiria e Batalha, encostada à Serra de Aire, ficando a distância de uma pequena povoação cujos habitantes semi-selvagens, velhos e novos, beijam a mão ao prior da freguesia!

Além das pessoas que já citámos, empenhadas na construção do projectado monumento, encontra-se o célebre Benevenuto de Sousa, autor das publicações reaccionárias “O Grito do Povo”, as “Folhas Soltas” e o “Petardo”, o padre Sopas das Moreiras Grandes, o vigário da vara, o escrivão de direito Mendes dos Santos (irmão do Bispo de Portalegre), o dr. Diniz da Fonseca, do concelho de Torres Novas, o padre Gens de Ourém, (…) além de uns beatos e beatas sem categoria que por diversas partes aparecem aos cardumes (…)

O que é necessário é que os liberais despertem do seu letargo e que reclamem, protestem junto de quem tem o dever de os ouvir, para acabar com cegadas e comédias indecorosas e fazer punir os seus autores.”

 

No dia 4 de Outubro de 1923, o jornal “O Debate”, continua com as considerações acerca de Fátima

 

“(…) É no dia 13 de Outubro a grande parada reaccionária, para o que estão alugados já automóveis em diversos pontos do país, preparando-se as “Juventudes Católicas” de Lisboa, para efectuarem uma grande excursão. Benevenuto de Sousa, director das “Folhas Soltas”, e o organizador da “Legião Fulminante” de combate contra o regime, pretende ressuscitar a “Senhora de Lourdes”, do lugar do Outeiro, concelho de Torres Novas, que fica a vinte quilómetros de Fátima, organizando uma procissão para aquele local e vice-versa. (…)”

 

Curas extraordinárias

 

Muitas foram as curas extraordinárias concedidas. Algumas foram publicadas em “Os acontecimentos de Fátima”, pelo Visconde de Montelo, pseudónimo do Dr. Manuel Nunes Formigão em 1923. Este sacerdote é uma das testemunhas directas do fenómeno Fátima, em 1917. Fez vários interrogatórios aos videntes e, ao contrário da maioria dos sacerdotes, acabou por acreditar nas aparições.

Tanto as curas como os milagres acontecem desde os seus princípios, nas seis aparições, entre Maio e Outubro. À medida que a notícia se vai espalhando, as pessoas começam a fazer pedidos de cura a Lúcia. No entanto verifica-se ao lermos os relatos das aparições, apesar de responder sempre ao pedido das curas, a Senhora fá-lo de modo muito “seco”, como que a significar: “Não é para isso que eu apareço”. De facto, ela está atenta aos pedidos, mas responde como que à pressa, passando imediatamente para o essencial da mensagem. As palavras-chave dos seus pedidos são oração, sacrifício e arrependimento.

Segundo os relatos de curas disponíveis na Documentação Crítica de Fátima, o «Fruto da Notícia» encontrou alguns referentes à freguesia de Assentis e lugares próximos:

 

Joaquim Vieira de 47 anos, de Assentis, Torres Novas, sofria de antigas e graves enfermidades, estando desenganado dos médicos. Curou-se no dia 13 de Outubro de 1917.

 

Maria do Espírito Santo Mota, de 31 anos, do lugar dos Vargos, freguesia do Paço, concelho de Torres Novas, casada com José António Mota da mesma idade, estando muito doente com um ataque de broncopneumonia durante cerca de um mês. O marido viu-a um dia tão mal que receou perdê-la e por esse motivo voltou-se para Fátima, invocou Nossa Senhora do Rosário e fez a promessa de ir com a família aquela povoação e dar uma esmola em harmonia com as suas posses se a mulher se curasse. A Virgem Santíssima fez-lhe essa graça e ele foi em companhia da mulher, dum filho e da sogra, cumprir a promessa.

 

António d’Oliveira Dias, de 58 anos, do lugar dos Carrascos, freguesia do Paço, concelho de Torres Novas, sofria, havia doze anos de uma faringite crónica, rebelde a todo o tratamento e considerada pelos médicos como incurável. Em 13 de Outubro de 1917 tinha ido a Fátima e presenciado o estupendo fenómeno solar. Em Novembro desse mesmo ano fez a promessa de ir a Fátima agradecer a sua cura a Nossa Senhora, se ela se dignasse alcançar-lhe essa graça, por que tanto suspirava. A partir dessa data, apesar de não fazer nenhum tratamento, foi melhorando pouco a pouco e, passando um ano, em Novembro de 1918, achou-se completamente curado.

 

 

Estes milagres por intermédio de Nossa Senhora de Fátima, fazem parte de algumas cartas e são mencionados na imprensa:

O Pe. Manuel Nunes Formigão relata em carta remetida para o Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, a cura do capelão de Moreiras Grandes.

 

“Parece que Nª Srª acaba de fazer uma cura assombrosa, por meio da água da fonte de Fátima, na pessoa do Revº Pe. António Lopes Laranjeiro, capelão das Moreiras Grandes, freguesia de Assentis (Torres Novas), que estava tuberculoso. Tinha-lhe sido feita há dias uma junta médica e não havia esperanças humanas de o salvar, tendo recebido já a Extrema Unção.

Tem por ora só pele e osso, mas desapareceram-lhe as causas do mal de que sofria, assim como as dores que tinha. Os médicos estão estupefactos. O Sr. Cónego Reitor e um professor do Seminário foram ontem vê-lo e vieram encantados, não se falando noutra coisa no seminário, onde ele foi professor. Deus queira que se confirme esta cura, que será uma das mais admiráveis de Nª Srª de Fátima.

 

No jornal “A Guarda”, foi publicada em 22 de Abril de 1922 uma entrevista ao Dr. Manuel Nunes Formigão, Visconde de Montelo, onde refere a cura extraordinária do Pe. Laranjeiro, de Moreiras Grandes

 

(…) Outra cura, finalmente, entre um sem número delas que poderia citar, é a do Revº Pe. António Lopes Laranjeiro, capelão no lugar das Moreiras Grandes, freguesia de Assentis, concelho de Torres Novas. Este digno sacerdote tinha uma cirrose no fígado e uma peritonite tuberculosa. Como somos amigos de infância, logo que soube que lhe tinha sido feita uma junta médica e que tinha recebido os últimos sacramentos, fui vê-lo para lhe dar o abraço de despedida. Estava moribundo. Era no dia 30 de Janeiro do corrente ano. Dispunha-me a partir para a estação de Paialvo, afim de regressar à capital no rápido do Porto, quando chegou de Fátima um homem que aquele meu amigo tinha mandado ir buscar água da fonte do local das aparições. Dias depois com grande surpresa e satisfação recebia dele uma carta em que me dava a notícia da sua cura. No dia 13 de Março do corrente encontrei-o em Fátima, aonde tinha ido em acção de graças, percorrendo nesse dia doze léguas a cavalo, na companhia de quase todo o povo do seu lugar.

 

 

No entanto, o Pe. Benevenuto de Sousa escreveu a 23 de Junho de 1923 ao Dr. Manuel Nunes Formigão a pedir prudência no que se refere às notícias sobre casos de curas.

 

“É bom prevenir o cronista de ”A Voz de Fátima” para que rectifique a notícia que deu (…). Os flocos não caíram só sobre o grupo das Filhas de Maria de Santarém; mas sobre todos os que estavam no local, e junto à igreja paroquial.

 

A 13 de Maio de 1922 foi visto junto ao Santuário de Nª Srª de Lourdes em Outeiro Grandes fenómenos solares semelhantes aos verificados em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917.

Leonor das Dores Salema Manuel, filha de Duarte Manuel de Meneses Noronha e Maria Bernardina de Mendonça Corte-Real de Sousa Tavares, quintos Marqueses de Tancos e décimo primeiro de Atalaia, tinha à data dos acontecimentos 49 anos.

Regressava de Fátima ao final da tarde do dia 13 de Maio de 1922, numa camioneta de uma peregrinação de Lisboa, quando cerca das 7 horas da tarde, na estrada de ligação entre Vila Nova de Ourém e Torres Novas, viu no sol os mesmos prodígios que em 13 de Outubro de 1917, com a diferença de agora os ver menos intensos. O relato do acontecimento está numa carta que enviou de Cascais dois dias depois para o Dr. Manuel Nunes Formigão.

 

“E o que vi foi ao chegar a um ponto da estrada de onde se vê uma Capela com uma pequena esplanada e uma estátua de Nossa Senhora. De repente, oiço a Condessa de Mendia gritar: Ai o sol, vejam, vejam. Logo a seguir chamou pelo meu nome: “Veja, veja se foi isto que viu da outra vez”. Eu tinha logo olhado, fitei e vi o sol tomar a cor verde, vi-o destacado do Céu, vi aquelas manchas amareladas aqui e acolá, vi as caras das outras pessoas e tudo tomar aqueles tons arroxeados e amarelados. Não tinha, aos meus olhos, aquele giro tão vertiginoso da outra vez, nem aqueles raios luminosos que vinham até ao chão; mudava menos de cor, conservando-se sempre mais acentuadamente verde; mas por várias vezes, repito, vi as caras das pessoas arroxeadas e amareladas.

Alguém fez parar a camioneta, desceram, trocaram-se exclamações e perguntas, às quais eu respondi o menos possível.

A condessa de Mendia desceu com a criança, ajoelhou-se com ela a rezar, no que a acompanhei.

Mas alguns tinham pressa, e tomámos o carro: ainda se foi vendo por mais uns momentos. Depois uma barra densa de nuvens encobriu o sol, ficando uma ou outra das tais manchas amareladas, noutros pontos do céu, que pouco a pouco desapareceram de todo. (…)

Devo dizer que esse fenómeno atmosférico se deu também aqui no Outeiro (presenciei-o eu atenta e demoradamente) na 2ª-feira seguinte. O Outeiro Grande dista de Fátima pelo menos três léguas.

Muito cuidado com as notícias de curas. É de toda a conveniência fazê-las dormir dentro da gaveta, por muito tempo.

No nº7 da mesma “Voz”, pág.2 – coluna 3 – diz o cronista depois de transcrever um postal. “Como descrever a impressão de tal prodígio?” Não houve prodígio nenhum. A doente (que eu mesmo procurei no Porto) não se curou, e poucos dias depois da sua peregrinação a Fátima, morreu.

Coisa quase parecida se deu com a notícia do Pe. Laranjeiro.

Muito cuidado, repito. Nada de precipitações ao dar notícias de curas. (…)

 

 

Peregrinação da freguesia do Paço

 

O jornal “O Mensageiro” de Leiria deu conta na sua edição de 20 de Maio de 1922 de uma peregrinação da freguesia do Paço a Fátima uma semana antes.

 

“Pousos – Carrascos, 15

No passado dia 13, foi quase toda a gente da freguesia do Paço em peregrinação à Fátima, e tudo na melhor fé e boa ordem; e entre os muitos fiéis viam-se os Revºs Prior Herculano Antunes Monteiro, pároco da freguesia do Paço, Mourão, pároco da Olaia e Oliveira Dias, dos Carrascos.

Tanto na ida como na volta não houve a mínima nota discordante e tudo em respeito pela fé e religião.”

 

 

 

Operários do Santuário

 

Existe uma fotografia dos anos 30 em que aparecem 116 operários que trabalharam na construção da Basílica do Santuário de Fátima.
 
 
Também houve fenómenos solares em 1922 junto ao Santuário de Nossa Senhora de lourdes em Outeiro Grande
 

A 13 de Maio de 1922 foi visto junto ao Santuário de Nª Srª de Lourdes em Outeiro Grandes fenómenos solares semelhantes aos verificados em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917.

Leonor das Dores Salema Manuel, filha de Duarte Manuel de Meneses Noronha e Maria Bernardina de Mendonça Corte-Real de Sousa Tavares, quintos Marqueses de Tancos e décimo primeiro de Atalaia, tinha à data dos acontecimentos 49 anos.

Regressava de Fátima ao final da tarde do dia 13 de Maio de 1922, numa camioneta de uma peregrinação de Lisboa, quando cerca das 7 horas da tarde, na estrada de ligação entre Vila Nova de Ourém e Torres Novas, viu no sol os mesmos prodígios que em 13 de Outubro de 1917, com a diferença de agora os ver menos intensos. O relato do acontecimento está numa carta que enviou de Cascais dois dias depois para o Dr. Manuel Nunes Formigão.

 

“E o que vi foi ao chegar a um ponto da estrada de onde se vê uma Capela com uma pequena esplanada e uma estátua de Nossa Senhora. De repente, oiço a Condessa de Mendia gritar: Ai o sol, vejam, vejam. Logo a seguir chamou pelo meu nome: “Veja, veja se foi isto que viu da outra vez”. Eu tinha logo olhado, fitei e vi o sol tomar a cor verde, vi-o destacado do Céu, vi aquelas manchas amareladas aqui e acolá, vi as caras das outras pessoas e tudo tomar aqueles tons arroxeados e amarelados. Não tinha, aos meus olhos, aquele giro tão vertiginoso da outra vez, nem aqueles raios luminosos que vinham até ao chão; mudava menos de cor, conservando-se sempre mais acentuadamente verde; mas por várias vezes, repito, vi as caras das pessoas arroxeadas e amareladas.

Alguém fez parar a camioneta, desceram, trocaram-se exclamações e perguntas, às quais eu respondi o menos possível.

A condessa de Mendia desceu com a criança, ajoelhou-se com ela a rezar, no que a acompanhei.Mas alguns tinham pressa, e tomámos o carro: ainda se foi vendo por mais uns momentos. Depois uma barra densa de nuvens encobriu o sol, ficando uma ou outra das tais manchas amareladas, noutros pontos do céu, que pouco a pouco desapareceram de todo. (…)

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Uma resposta a Aparições de Fátima testemunhadas por habitantes da Freguesia de Assentis

  1. Joao Salvador diz:

    Eu acredito na Aparição da Vigem Santíssima de Fátima.

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