Festa das Sopas em Vila do Paço

Festa das Sopas em Vila do Paço

O sucesso aumenta todos os anos
 
 

A 5ª Edição da Festa das Sopas em Vila do Paço que ocorreu no passado dia 15 de Abril foi a mais participada de sempre. Por apenas 5 euros, cada pessoa teve direito a uma tigela, pão e colher para comer um número indeterminado de sopas, de entre as quase 40 variedades que estavam alinhadas ao longo de uma comprida fileira de mesas: Sopa de massa de bacalhau (3), sopa de feijão seco com hortaliça, sopa da tia, sopa de peixe (4), sopa do campo, sopa de puré de cenoura, sopa de canja de borrego, canja de galinha caseira, sopa de grão com carne, sopa de abóbora com feijão e migas, sopa de agrião, sopa de tomate com ovos, sopa de creme e abóbora com torradinhas, sopa de feijão com nabo de couve, sopa de caldo verde, sopa de coiratos, sopa de feijão verde, sopa de agrião com ervas aromáticas, sopa de carne, sopa de abóbora com feijão, sopa de feijão com couve (2), sopa com todos, sopa de feijão, sopa de caldo verde, sopa da pedra (2), sopa de grão, sopa da canja de galinha, sopa de feijão branco com espinafres, sopa de tomate (2).

Clotilde Sentieiro, presidente da colectividade estava radiante com o sucesso do evento que ano após ano atrai mais pessoas.

Estiveram presentes cerca de 300 pessoas, algumas das quais até vindas de longe. Foi o caso de um senhor de Lisboa que ouviu 2 dias antes, a divulgação do evento na Rádio Clube Português, no programa de José Candeias. É apreciador de sopas e todos os anos não falha também no Congresso da Sopa que se realiza em Tomar. Em Vila do Paço gostou da sopa de agrião e da sopa da pedra.

Todas as sopas foram oferecidas pela população, como tem sido hábito deste a primeira edição.

A apadrinhar esta festa estiveram presentes dois grandes mestres da cozinha portuguesa: O Chefe Silva e Filipa Vacondeus. O Engº João da Guia, torrejano e grande defensor da gastronomia portuguesa também esteve presente.

Clotilde estava encantada com a presença pela primeira vez de Filipa Vacondeus: “É uma senhora muito acessível e simpática e está radiante com este projecto”.

 

“Com este evento, junta-se o útil ao agradável: divulgamos a gastronomia da nossa terra e angariamos alguns fundos para concluir as obras que estamos a efectuar nas instalações”, referiu Clotilde. Este é o 4º mandato que está à frente da colectividade, ou seja há 7 anos consecutivos.

 

 Apesar da canseira e da luta, refere que a sua recompensa “é verificar que foi agradável, as pessoas gostaram e o nome de Vila do Paço vai longe. Cada ano que passa vem mais gente e isto é que nos dá força para continuar”.

A colectividade já tem quase 200 anos, mas as iniciativas não param. Para os próximos tempos já estão agendadas outras actividades: No primeiro domingo de Maio a colectividade vai comemorar o Dia da Mãe e o 1º de Maio. De manhã far-se-á um passeio de bicicleta. Depois do almoço-convívio, haverá na capela, à tarde a celebração da Eucaristia onde os filhos irão oferecer uma rosa às mães em acção de graças pelo “Dia da Mãe”. O convívio continuará pela tarde fora.

No dia 30 de Junho realizar-se-á o dia do bom desportista. Já estão inscritas cerca de 150 pessoas, entre benfiquistas, sportinguistas, portistas e até já há um do belenenses. Desde há várias semanas, cada um paga semanalmente 25 cêntimos por cada golo que a sua equipa marca. No final junta-se o total angariado e é um dia de convívio com um porco no espeto, entre outros petiscos.

O saber conviver é outro dos argumentos que move Clotilde Sentieiro: “É salutar sabermos conviver. Acho que se está a perder a nível das aldeias o convívio, daí a minha luta e a minha ideia em estar nesta casa e lutar para que não acabem as tradições. Porque, caso contrário as pessoas não têm mais nada. A colectividade está quase com 200 anos, mas continua a ser sinal de união e saber conviver. Aos sábados e domingo as pessoas continuam a juntarem-se na colectividade a tomar o seu café, ver televisão, ler os jornais e quem quiser também pode usufruir de uma pequena biblioteca. Saber viver em comunidade é muito importante”.

 

  ENTREVISTA COM FILIPA VACONDEUS

Na sua primeira passagem pela Festa das Sopas em Vila do Paço, o «Fruto da Notícia» entrevistou Filipa Vacondeus, conhecida cozinheira que durante muitos anos esteve ligada à RTP em rubricas de culinária de diversos programas. Filipa Vacondeus tem 74 anos e é natural de Lisboa.

 

Fruto da Notícia (FN) – Qual a sua opinião sobre a Festa das Sopas?

Filipa Vacondeus (FV) – É fantástica, porque dá a conhecer a tradição das sopas daqui e das redondezas que são uma maravilha. É uma festa como eu gosto: simples, simpática, faz a reunião de muita gente, que naturalmente estaria cada um em sua casa e ninguém falava uns com os outros. Isto é sempre uma mais valia, porque tenho ido a muitas festas deste género. Fui durante muitos anos às sopas de Tomar e a muitas outras festividades por esse país, algumas das quais a fazer de júri. São sempre umas organizações fantásticas, porque são boas para o povo da terra e também para todos os outros que aqui se deslocam.

 

FN – A gastronomia portuguesa é muito rica em sopas?

FV – É muito rica. Basta olhar para o número de sopas aqui presentes. Em Tomar, o número ainda é maior. Na Serra da Estrela, em que também já fui presidente de júri também houve mais de 50 sopas. É um país em que se fazem sopas como em mais nenhum país que eu conheça que se faça.

FN – Qual é a sopa mais rica a nível alimentar?

FV – A mais rica e que eu adoro é a Sopa da Pedra. Depois há a sopa de feijão, favas, ervilhas… Com qualquer coisa, os portugueses sabem fazer uma boa sopa.

 

FN – Os mais novos é que não gostam muito de comer sopa…

FV – Eu normalmente instituo na camada mais nova, dos 8 aos 20 a obrigatoriedade de comerem sempre uma sopa, pelo menos ao jantar.

 

FN – Mas as crianças fazem birra para não comerem a sopa…

FV – Depende como se apresenta a sopa e da forma como se dá a volta.

 

FN – Que conselhos é que dá às mães para incutirem nos filhos o gosto de comer sopa?

FV – Eu faço a sopa mais parva do mundo que é chamada a sopa de cenoura, batata, cebola, coentros, hortelã, alho, etc. Depois coloco bocadinhos de pão, ou mando-os colocar para os entreter a comer a sopa. Eu chamo a esta sopa a “Sopa cor-de-rosa” e eles adoram. E quando não há eles perguntam-me: “-Não há sopa?”

 

FN – Há quantos anos é cozinheira?

FV – Desde os 7 anos. O primeiro bolo que eu fiz tinha 7 anos. Foi o chamado “Bolo podre”. Era um bolo muito bom. Mas se me perguntar já não sei como era.

Trabalho na culinária  há 32 anos. Comecei em Lisboa no estúdio 2 da RTP, no Lumiar e depois estive 11 anos seguidos no Porto.

 

FN – Qual é a sua receita preferida?FV – Não tenho preferências. Gosto de cozinhar de tudo. Gosto sobretudo de inovar. Tendo um bocadinho disto, mais um bocadinho daquilo e mais um bocadinho daqueloutro, começo a pensar o que vou fazer. Nunca copiei uma receita de ninguém nem de livro nenhum. Cozinho todos os dias, porque as mãos continuam a dar-me para cozinhar. Dirigi 3 restaurantes. Deram-me uma abertura muito grande para eu saber exactamente muita coisa: como é que não se deve gastar tanto dinheiro e como se devem aproveitar as coisas.

 

 

João da Guia: “Vila do Paço sabe manter a tradição gastronómica”

 

Falámos também com João da Guia, grande defensor da nossa gastronomia. Este tipo de festas atraem cada vez mais pessoas porque na sua opinião: “as pessoas gostam de fazer jus à nossa cozinha tradicional. E Torres Novas tem uma cozinha tradicional. Estamos a prestar honra e homenagem a Vila do Paço que sabe manter a tradição gastronómica. Como estamos a ser invadidos pela comida de plástico, a chamada de “fast-food”, nós preferidos a “slow food” que é a nossa comida tradicional, porque ela contém tudo. A nossa sopa por humilde que seja, enriquecida por vezes com pouco sal e um pouquinho de chouriça, e já temos uma sopa boa. Antigamente não passava de um bocado de batata esmagada feita em puré, uma folhinha de couve e se levava uma rodinha de chouriça e um cheirinho a azeite, então, já era a sopa rica do campo.

O professor Dr. Pádua é o primeiro a dizer que essa é que é a cozinha tradicional que faz bem à saúde. O que temos aqui hoje em Vila do Paço, só faz bem à saúde, porque mais de 50% é cozinha de azeite. O azeite é uma riqueza da nossa terra como é a riqueza gastronómica e que hoje é recomendada pelos médicos. Para além de nos fazer bem e de nos alimentar, prolonga a vida de todos os que vêm aqui. Cada vez tem mais aderentes, porque as pessoas têm sempre a sua memória gustativa e as papilas vão ao encontro porque têm uma história que sabem guardar. Quem sabe guardar melhor é de facto, Vila do Paço que sabe preservar a tradição. Assim, ela enriquece a nossa riqueza gastronómica e concorre para proteger a nossa identidade cultural gastronómica que faz falta. Nos tempos que correm, tempo de crise, basta ter uma sopinha em casa no frigorífico. Quando as crianças, marido e mulher chegam a casa, basta mais qualquer coisa e a economia doméstica está governada. Assim, mesmo em tempo de crise, as nossas casas podem ser bem governadas sem termos de recorrer à coca-cola, hambúrguer, pizza, e outras coisas que venham do supermercado como as batatas fritas. Nós temos coisas saudáveis na nossa terra e é este exemplo que temos de seguir.

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