Eurico Brito – Artície de moinhos

 

São moinhos artesanais e de vários tamanhos os que se encontram ao início da localidade de Moreiras Grandes, na freguesia de Assentis. O artífice é Eurico da Conceição Brito de 68 anos, residente naquele lugar há cerca de 40 anos.

Há cerca de 3 anos começou a mexerucar e acabou mesmo por fazer um moinho já com uma proporção razoável. Foi o primeiro moinho, o qual ainda hoje decora o jardim frontal à sua habitação. A partir daí, muitos outros nasceram das suas mãos. Pequenos, grandes e de moldes diferentes, são diversos os moinhos que já vendeu e muitos outros tem em exposição. Apesar de não ter moleiros na família, os moinhos estão ligados à sua terra natal: “Eu vim de uma terra onde haviam muitos moinhos. Sou natural de Santa Catarina, em Caldas da Rainha”.

Para fazer um moinho, um simples bidão de 220 litros serve de molde. Começa por abrir a porta e as janelas. Depois à volta do bidão coloca em primeiro lugar uma rede “malha-sol” e logo por cima uma rede “dos coelhos” mais fina. Estas duas camadas de rede são tapadas com massa feita de areia e cimento e brita muito miudinha de modo a poder entrar nos buracos da rede mais fina. E assim está feito o reforço de toda a estrutura. “O moinho nunca vai estalar e fica bem resistente com a altura de massa que leva”, garante Eurico Brito. E se o vento soprar forte, também não foge, devido ao peso do moinho, principalmente da parte de baixo em que é reforçado com massa. Consoante o gosto do cliente, o exterior do moinho pode ou não ser empedrado.

No interior do moinho são colocados uns pesos para contrabalançar. Podem ser latas ou até garrafas de plástico cheias de cimento. O mastro é em ferro onde são soldadas várias varas. O eixo é em madeira e devidamente torneado. A imaginação de Eurico, levou-o até a adaptar os moinhos com uma instalação eléctrica. E na época do Natal, há quem diminua a velocidade em frente à sua casa só para observar o efeito colorido das luzes que rodam nas velas dos moinhos.

Quanto ao tempo que demora para construir um moinho é incerto: “Leva muito tempo… Não deito contas às horas. Mas o preço do moinho não paga o trabalho e os materiais que leva. Só não se vendem mais moinhos, porque o poder de compra é pouco”, lamenta.

A construção do moinho tem que ser feita por várias fases. Como a estrutura é cilíndrica, a massa tem que ser colocada por várias vezes. E só depois de uma parte estar seca é que pode continuar com a fase seguinte. Normalmente a estrutura tem que ser feita em 3 fases. E depois de toda a estrutura em bruto há que aperfeiçoar o trabalho com uma camada de massa mais fina. Depois da estrutura há ainda a parte mais difícil do moinho: o tejadilho com toda a engrenagem e o soldar das varas no mastro para o qual é necessário obedecer a medidas exactas.

“Força de vontade” e “gosto de fazer” são os ingredientes necessários que Eurico Brito apresenta para o trabalho que faz. “Apesar de tudo, não me considero um artista”, justifica. É tudo da sua autoria e nem precisa de olhar para fotografias. Se pensa em fazer algo não descansa enquanto não concluir. Actualmente tem em mãos a construção de um moinho de ferro, também característico da sua aldeia natal. Pelo que nos foi dado a observar, a sua armação vai atingir alguns metros de altura e vai ter por base um antigo depósito de vinho em cimento. O engenho que vai ficar no seu interior já está a ser preparado.

Actualmente Eurico está reformado, apesar de ainda dedicar dois dias por semana ao comércio da fruta, actividade que exerceu durante vários anos.

Enquanto residiu na sua terra foi cutileiro, fabricante de facas e navalhas. Depois partiu para Lisboa onde esteve 13 anos a trabalhar como serralheiro cirúrgico em duas oficinas, onde fazia toda a qualidade de ferros que os médicos utilizavam nas cirurgias. Depois, rumou até ao Canadá onde trabalhou durante cinco anos e meio numa fábrica de peças de precisão para aviões. “Eram peças muito fininhas, com a mesma precisão com que se fazia os ferros para os médicos”, explica Eurico.

De regresso a Portugal, com a esposa e a filha, fixou residência em Moreiras Grandes e começou a comercializar fruta, actividade que exerceu até à reforma.

E agora, a grande parte do tempo que tem livre dedica-a aos moinhos: “Só que não se vê é farinha!… Também já não semeiam o trigo e o milho e ninguém aparece aqui com os taleigos para eu fazer a farinha…”

Sobre Fruto da Notícia

Jornal « Fruto da Notícia »
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s