Cantar os Reis

Cantar os Reis
 
 

Vinte anos depois, a tradição de “cantar os Reis” renasceu em Outeiro Pequeno.

“Cantar os Reis” constitui uma tradição ancestral de algumas aldeias e tem as suas raízes no universo religioso (adoração dos Magos a Jesus), com algumas luzes do profano que se encarregou de lhe dar novas facetas. Esta tradição é uma autêntica visita de cortesia com o objectivo de desejar um bom ano que se inicia, traduzidas nos bons princípios da amizade, aproximando as pessoas e fomentando uma convivência familiar.

Na noite do passado dia 6 de Janeiro de 2007, um grupo de aproximadamente 40 pessoas de todas as idades, andou de porta em porta a “cantar os Reis” na localidade de Outeiro Pequeno. Uma iniciativa que procurou reviver os tempos antigos e que ocorria antigamente na noite do dia 5 de Janeiro (véspera do Dia de Reis). Este evento ocorreu por iniciativa de Pedro Sousa e rapidamente teve o apoio e a concordância de todas as pessoas que foram convidadas a participarem. E foram muitas as que aderiram, tendo-se registado grande afluência de pessoas, algumas das quais decidiram integrar o grupo até no próprio dia.

Para colocar em prática o “Cantar os Reis” como era efectuado antigamente, foi necessário efectuar um levantamento dos versos junto das pessoas mais idosas, as quais ainda os retinham na memória. Depois de transcritos para o papel, foi suficiente um breve ensaio e tudo estava preparado para a “reisada”.

Nem o frio do Inverno nem a ausência de iluminação de algumas ruas demoveram as pessoas de comparecer e continuar caminho.

À hora marcada, cerca das 19:30 do dia 6, as pessoas começaram a juntar-se no Largo de S. João, junto à capela, para se dar início à tradição.

Munidos das quadras, das pandeiretas e ferrinhos, rumaram ao Azinheirão, Fonte, Mato Gordo, Tojais, interior do Outeiro Pequeno e ainda houve tempo para uma deslocação ao Outeiro Grande, para “Cantar os Reis”, junto às casas de alguns naturais de Outeiro Pequeno.

Na escuridão da noite dezenas de vozes em coro, cantaram as mesmas quadras que de geração em geração se fizeram ouvir até há cerca de 20 anos atrás numa comunhão de festa e de partilha em louvor do novo ano.

Algumas pessoas sentiram nestes breves momentos passageiros de festa algumas emoções que foram incapazes de conter, fruto do recordar dos tempos antigos, ainda bem guardados no fundo das suas memórias. E todos os que uma vez mais, ou pela primeira vez ouviram “Cantar os Reis” pedem para que a tradição não desapareça.

Antigamente neste dia, todos os elementos das famílias com o apelido “Reis” faziam questão de participarem activamente neste evento, dada a associação da festa com o seu apelido. “Era uma grande paródia”, recordam ainda hoje. 

 

Ao aproximar-se de cada casa, o grupo cantava versos alusivos aos Reis Magos, iniciando sempre com o desejo de boas-festas:

 

Boas-festas, boas-festas

Boas-festas vimos dar

A casa destes senhores

Se as quiserem aceitar.

 

 

Ao terminar, o dono da casa oferece dinheiro e logo o grupo entoa mais uma quadra de agradecimento:

 

Obrigado meu senhor

Pela oferta que nos fez

P’ro ano se Deus quiser

 

Esta iniciativa teve grande aceitação por parte de todas as pessoas, tendo-se registado até a participação de algumas pessoas com mais de 70 anos que efectuaram alguns quilómetros a pé. Dado que actualmente os residentes na aldeia estão dispersos por vários locais, foram necessárias 4 horas e meia para efectuar todo o percurso.

Com o aproximar da meia-noite, foram cada vez menos os habitantes que ainda estavam de pé para os receberem.

Era precisamente meia-noite quando se deu por terminado o “Cantar os Reis”.

Os donativos recebidos totalizaram 481,52€, os quais serão aplicados na aquisição de bens para a capela de Outeiro Pequeno.

 

Boas-festas, boas-festas

Boas-festas vimos dar

A casa destes senhores

Se as quiserem aceitar.

 

Refrão:

No céu alegria não pode ser mais

Cantai ao Menino, Bendito sejais.

 

Boas-festas, Boas-festas

Vimos dar com alegria

Já nasceu o Deus Menino

Filho da Virgem Maria.

 

Nos vimos detrás dos montes

Da terra dos bons pastores

Vimos dar as boas-festas

A casa destes senhores.

 

Os três reis foram guiados

Pela estrela do dia

Perguntaram a Herodes

Se o Menino nasceria.

 

Herodes como malvado

Como perverso e malino

Ensinou aos santos reis

Às avessas o caminho.

 

Os três reis como eram santos

Uma estrela os guiou

Em cima de uma cabana

A estrela se pousou.

 

Os três reis do Oriente

Já chegaram a Belém

P’ra adorar o Deus Menino

No colo da Virgem Mãe.

 

A cabana era pequena

Não cabiam todos três

Adoraram o Deus Menino

Cada um por sua vez.

 

Os três reis lhe ofereceram

Ouro, mirra e incenso

Não lhe ofereceram mais nada

Porque Ele era o Deus imenso.

 

Obrigado meu senhor

Pela oferta que nos fez

P’ro ano se Deus quiser

Cá voltamos outra vez

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