Vivência natalícia dos meus avós

Vivência natalícia dos meus avós
 

No tempo dos meus avós, ou melhor, no tempo em que eu era pequeno, há mais de sessenta anos, nessa altura também eu acreditava que era o Menino Jesus (e não o Pai Natal, como agora), que vinha ao encontro dos nossos desejos presentear-nos com qualquer coisa.

Nessa altura a ilusão e a expectativa com que eu esperava por algum presente era com certeza igual àquela com que todos os meninos de hoje esperam os presentes do Pai Natal.

Na ilusão e expectativa com que eu esperava por algum presente (que raramente aparecia), o Natal era vivido de forma diferente conseguindo ser ainda mais participante pois toda a família o preparava com alguma antecedência.

Nessa época não havia centros comerciais e nem sequer lojas onde houvesse brinquedos, mas apenas pequenas lojas (hoje chamadas de comércio tradicional) onde as compras eram feitas com tempo se havia algum dinheiro para tal.

Havia contenção nas despesas sem um consumismo extravagante.

Os doces típicos desta quadra natalícia, as filhós, os sonhos, as rabanadas, eram feitos em casa com a colaboração de toda a família.

Na minha terra, fazer o Presépio em casa, não era usual pois que as pessoas não tinham condições para ter as peças alusivas à formação do Presépio que normalmente era só na Igreja com as figuras principais.

As prendas? Bem, as prendas também elas eram preparadas pela família, as da mãe com a cumplicidade do pai, as do pai com a cumplicidade da mãe, as dos filhos pelos pais e as dos avós (que ainda viviam connosco sem ir para um lar de idosos) eram preparadas por todos nós, sendo mais considerado como simbólico e não pelo valor que era trazido em preço.

Nessa altura não existia televisão. Conseguirão os novos imaginar o que era hoje passar sem ver todos os programas a que se habituaram?

Pois é, também isso contribuía muito para esses momentos serem especiais com a tal partilha familiar onde havia mais tempo para nos ouvirmos e fazermos a grande diferença dos tempos actuais em que a televisão só serve para deseducar e transviar as mentes das pessoas com noticiários e cenas repugnantes onde a juventude muito aprende mas pouco se educa.

A tradição vivida ao longo de gerações era mais sã onde não abundavam as prendas mas havia a vivência comunitária em que a família não faltava à Missa do Galo à meia-noite do dia 24 para 25 de Dezembro, e terminada a missa, o povo se juntava no adro da Igreja onde começava a arder a fogueira com um grosso madeiro que se ia prolongando durante as festividades natalícias. Não como hoje que quase não se ouve falar na Missa do Galo mas sim na abertura das prendas que são o gáudio de uns e, por vezes, o sofrimento de outros.

O Natal no tempo dos meus avós lá na aldeia, apesar de não haver grandes prendas, era acima de tudo vivido em ambiente cristão por toda a família, mesmo por algum membro mais céptico, o Natal era comemorado festivamente em ambiente de religiosidade e familiar o nascimento do Menino Deus.

Também as Janeiras eram cantadas de porta em porta, não só para que as pessoas dessem algo mas porque a tradição do povo era mantida num simbolismo de alegria levada até às outras pessoas, mesmo se alguma não fosse muito concordata com esse expandir com o nascimento de Jesus, e que se prolongava até ao Dia de Reis.

Era assim a vivência do Natal no tempo dos meus avós.

 

Fernando Garcia Santos

Sobre Fruto da Notícia

Jornal « Fruto da Notícia »
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s