A mais bela paisagem natural da freguesia de Assentis

A mais bela paisagem natural da freguesia de Assentis
 
 

É um local recôndito para a maioria dos habitantes da freguesia de Assentis. No entanto, é a mais bela paisagem natural existente na freguesia.

Quem circula pela estrada de terra batida que liga as localidades de Fungalvaz a Beselga de Cima quase que nem se apercebe da existência de um santuário natural que se encontra no leito da ribeira. As águas provenientes da Ribeira da Fórnia em Fungalvaz vão descendo seguindo o seu trajecto normal até entrarem na Ribeira da Beselga. É a meio do percurso entre Fungalvaz e Beselga, que se encontra um lindo espectáculo em que a queda de água em várias cascatas altera o normal curso de água e embeleza o local. Quem passa na estrada quase que nem se apercebe. A forte vegetação lateral à estrada e os densos silvados ocultam a bonita paisagem natural. O primeiro sinal é dado pelo som provocado pela queda da água. É uma paisagem única, um regalo para os olhos. A tentação leva qualquer um a aproximar-se do local para o observar mais de perto. Para tal é necessário atravessar a ribeira. Duas fortes chapas, que anteriormente constituíram as asas de um avião, levam-nos até à outra margem. À medida que nos aproximamos do local, o barulho da queda de água aumenta. À nossa volta não podemos deixar de observar as consequências das últimas três cheias que recentemente ocorreram na região e que também abalaram o local. A força das águas abriram valas nas propriedades e danificaram algumas estradas rurais. Mas o que é degradante e que também por ali se observa é consequência da acção do homem. Algum lixo arrastado pelas águas e outro preso na vegetação e vedações ali existentes indica que ali houve depósito de lixo e que as fortes enxurradas de água arrastaram algum.  

Com alguma dificuldade entrámos por entre os arbustos anexos à ribeira e descemos até bem perto da corrente. Avançámos cuidadosamente ao longo da margem até ficarmos frente a frente com um espectáculo único – as cascatas. O som da água transparente que cai de várias cascatas… a espuma da queda…as pedras… é todo um esplendor natural que deixa qualquer pessoa maravilhada. Ficamos inertes a observar um cenário real e natural em que a água é a actriz principal para além de nos contemplar também com a banda sonora.

As quedas de água são originadas pelo paredão de pedras que ali existe, e que, pelo que observámos no local, tinha antigamente por objectivo fazer com que parte da água da ribeira fosse canalizada através de ramais laterais para alguns moinhos e até para um lagar de azeite. O «Fruto da Notícia» andou pelo local e observou a existência de alguns vestígios. Junto à ribeira e ao paredão existe ainda parte do início do ramal que levava a água através de uma vala para o lagar que ficava situado alguns metros mais abaixo. Seguindo os vestígios ainda existentes, conseguimos encontrar as ruínas do lagar. Ainda existem 3 paredes em ruínas do que anteriormente foi o lagar. Na parede traseira, que faz fronteira com a vala de água são ainda visíveis dois buracos por onde entrava a água para o interior do lagar.

Dos moinhos, não encontrámos paredes, mas ainda existem pessoas que se lembram da sua existência. Também os documentos antigos o referem, como é o caso das Memórias Paroquias de 1758 (Ver artigo ao lado).

Seguindo o leito da ribeira na direcção de Fungalvaz, podemos ainda encontrar mais algumas quedas de água, mas de menor dimensão. Os vestígios de canalizações laterais também podem ser observados.

Como devia ser bonita a paisagem antiga com os moinhos e o lagar a funcionar…
 
 
 
 
 
 
 
O que diz a Memória Paroquial de 1758 ?
 
 

[DA  SERRA,  DO  RIO]

 

 

A parte do norte está a serra dÁire em distância de uma légua, que continua para cima e para baixo em distância.

1. Pelo meio da dita serra vem uma ribeira, que tem seu princípio no termo de Ourém por um vale que chamam de Furadouro aonde tem sua ponte de cantaria, por onde passa a estrada de Torres Novas para Ourém e outras mais terras.

2. É de Inverno de curso muito arrebatado, pelos penhascos que tem a dita ribeira; passa pelo lugar de Beselga aonde tem dois moinhos e um lagar de azeite e vai findar na ribeira de S. Silvestre, junto ao Porto da Lage; esta serra se cultiva em algumas partes no limite desta freguesia e os frutos que dela se colhem são pão e azeite, criam-se nela alguns animais ferozes, como são o lobo e raposas e tem alguma caça de coelhos e perdizes. (…)

 

Memória Paroquial da Freguesia de Assentis em 5 de Abril de 1758, escrita pelo padre cura, Francisco dos Santos

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