Rancho Folclórico e Etnográfico do Casal Sentista

Rancho Folclórico e Etnográfico do Casal Sentista animou Festa da Água-Pé em Outeiro Grande
 
 

O Centro Recreativo e Musical de Outeiro Grande também organizou a sua festa da água-pé. A abertura do barril teve lugar ao final da tarde do dia 4 de Novembro e prolongou-se por toda a noite. A acompanhar, os populares puderam saborear vários petiscos. A animação musical esteve a cargo de Rui Feliciano e do Rancho Folclórico e Etnográfico do Casal Sentista.

 

João Carlos, presidente da colectividade de Outeiro Grande deu as boas vindas ao rancho, que ali esteve presente no âmbito da programação integrada da União das colectividades do Concelho de Torres Novas, da qual o rancho faz parte e que participa no programa de forma gratuita. Fez referência a um dos elementos do rancho que por sinal, foi em Outeiro Grande que aprendeu música. É o sr. Agostinho mais conhecido por “O Ricochina”. Também ele foi fruto da banda da aldeia de Outeiro Grande.

 

O rancho já existe desde 1986 mas só efectuou a sua primeira actuação nove anos depois. O seu objectivo é preservar e divulgar as tradições dos seus antepassados não só nas danças, trajes e instrumentos, mas também nas mais diversas formas culturais de outrora como: a gastronomia, festas e romarias, rezas, adivinhas, lendas…

Antes de iniciar cada dança, o presidente do rancho, sr. Carlos efectuou uma breve explicação e origem de cada uma para melhor compreensão do público presente.

A primeira dança “Fui à fonte beber água”, foi recolhida em Árgea e iniciava o período do Carnaval que antigamente (princípios do século XX e finais do século XIX ) começava no dia 22 de Janeiro e se prolongava por vários dias.

Depois dançaram “A Polka”, dança recolhida nos Pintainhos e que faz parte das danças de origem palaciana que foram introduzidas na região através dos criados das casas senhoriais que como eram do povo assim as trouxeram para os bailes efectuados nos terrenos e principalmente nas casas de brincadeira, que eram casas que faziam parte da arquitectura tradicional da região e que eram construídas precisamente para esses fins. Estas danças chegaram às casas senhoriais portuguesas através do centro da Europa onde aí eram danças populares do povo e inspiraram muitos compositores, como o Schubert, Mozart e Beethoven. Depois vieram para as casas senhoriais e em Portugal são de novo devolvidas ao povo, onde este as adaptou à sua maneira.

Desde 1995, o rancho já participou em 11 festivais nacionais de folclore e também em vários festivais internacionais que decorreram em Portugal. Já se deslocaram ao estrangeiro por diversas vezes, como por exemplo a França, Brasil e recentemente estiveram na Turquia onde no último espectáculo estiveram a assistir 75 mil pessoas.

As saias”, é uma dança que foi trazida do alto Alentejo para a região pelas pessoas que vinham apanhar a azeitona e por ali ficavam entre 2 a 3 meses. À noite e ao fim-de-semana cantavam e dançavam. Foi depois adaptada pelos locais da região da Árgea nos princípios do século passado.

Seguidamente dançaram a “Valsa a dois passos” recolhida no Carreiro da Areia, pertencente à freguesia de Santiago.

O verde gaio” foi recolhida em Carreira da Areia e era dançada às vezes ao som do harmónio, do realejo e do pífaro. O rancho não tem acordeão pela única e simples razão de que antigamente, na altura em que se dançavam estas danças não existiam. Apenas existiam alguns instrumentos como o harmónio, o pífaro, o realejo e as violas. Mas às vezes, nem havia instrumentos nenhuns, mas as pessoas não deixavam de cantar e de dançar. “O verde gaio” foi dançada ao som do pífaro pelo sr. Agostinho. É um instrumento simples de cana que foi fabricado pelo próprio tocador.

A moda das carreirinhas” foi a dança que se seguiu, recolhida no Carreio da Areia, marcada a 3 tempos e rodada a passo largo. É uma dança muito simples e que dá às vezes uma espécie de efeito um bocado contrário ao desejado. É lenta, como lentas eram praticamente todas as danças que se dançavam, porque para dureza já bastava o trabalho e a vida. As pessoas iam para os bailes para se divertirem, arranjar namoro, convívios e não para se cansarem.

Muitas das danças foram trazidas por milhares de trabalhadores sazonais que vinham para a região, não só no tempo da azeitona, mas também no tempo das outras colheitas, como por exemplo, as ceifas, na época do Verão. Muitos vinham da zona de Pombal e por aqui ficavam e acabaram por deixar um pouco da sua cultura. Uma dessas danças foi “O enleio” recolhida em Valhelhas, na freguesia da Olaia.

Dois dos elementos do rancho dançaram depois “O fandango”.

Uma das danças mais representativas é “A rolinha”, recolhida na Meia Via, uma dança de Carnaval mas que também era dançada por altura dos santos populares à volta das fogueiras. Antigamente 99,9% das danças eram simples e fáceis de compreender e de dançar. Depois do público ver dançar esta dança, foi convidado a participar juntamente com os elementos do rancho. E como era de esperar, a brincadeira provocou muitos risos.

O rancho teve que efectuar várias investigações a nível de trajes, cantares, manifestações culturais, mas também dos instrumentos antigos que se tocavam antigamente.

A malva rosa” é uma dança de Carnaval que se dançava em muitas zonas do país e que também se dançava na Charneca da Meia Via e na Meia Via, localidade onde foi recolhida. Foi uma das primeiras danças que recolheram em finais de 1986.

Seguiu-se ”O fado batido”, recolhido no Carreiro da Areia. Antes de ser cantado, o fado era dançado. O fado é uma fusão de culturas de África, do Brasil e de Portugal.

Este rancho tem pouca variedade de trajes – apenas os trajes domingueiros  e os de trabalho. Os de trabalho serviam para ceifar, apanhar a azeitona, figos, andar em casa a efectuar os mais diversos trabalhos domésticos. Os trajes domingueiros serviam para casamentos, baptizados, ir à missa conforme a condição social das pessoas.

Muitos dos trajes domingueiros serviam também no final da vida para as pessoas levarem para debaixo da terra. Por isso se perderam muitos trajes por esse país fora.

Ainda integrado no programa da União das colectividades do concelho de Torres Novas, o Rancho Folclórico e Etnográfico do Casal Sentista actuou na semana seguinte, dia 12 de Novembro, na colectividade de Moreiras Grandes

 
 

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