Pensar na morte…

Parar e pensar…
Pensar na morte
 
 
 

O mês de Novembro começa com duas celebrações muito significativas para os cristãos: a festa de “Todos os Santos” e a “Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos”. Elas colocam-  -nos diante da perspectiva da vida futura. O final da nossa caminhada na Terra desperta no ser humano algumas perguntas fundamentais sobre o sentido da vida: De onde venho? Para onde vou? O que haverá depois da morte? Por que morremos? Por que esta pessoa e não outra? Por que agora e não mais tarde? Por que desta maneira?

Este mês fui levado a meditar sobre a morte, a nossa única certeza do amanhã, e que, muitas vezes, chega inesperadamente.

Ao ver tanta gente numa correria ao cemitério no dia 1 de Novembro constatei que a festa dos fiéis defuntos mobiliza muito mais gente do que a festa de Todos os Santos. Nestes dias anda-se mais pelos cemitérios do que pelas Igrejas o que leva as pessoas a pensar mais na morte dos mortos, do que na “vida” dos fiéis defuntos. De facto, a morte diz mais às pessoas do que a santidade, pois a morte atinge toda a gente, ao passo que a santidade atinge pouca gente, só aqueles que querem…

A única certeza que todo o ser humano tem desde que nasce, é a de que há-de morrer para este mundo em data incerta. É necessário pois, tomar consciência de que tudo é relativo e passageiro. Fomos feitos para desejar ardentemente a Verdade, o Amor, a Vida, a Felicidade, a Justiça… Mas nenhum destes valores conseguimos encontrar adequadamente na vida presente; a verdade é ameaçada pelo erro, o amor pela traição, a vida pela morte… Por conseguinte, tem de existir no além, a resposta para todos os nossos anseios. Caso não a houvesse, o ser humano seria a mais absurda de todas as criaturas, pois estaria condenado à frustração mais profunda.

O dia de finados deve ser um dia de reflexão acerca de como anda a nossa conversão. É necessário fazer o “fecho para balanço”, daqueles em que se pára tudo, totalizam-se os lucros e os prejuízos e promete–se uma vida nova. É necessário encontrar o sentido da vida que, segundo afirmou o Papa Bento XVI no passado dia 2,é pensar em Deus como protagonista da história e da nossa própria vida. No nosso tempo vivemos tão absorvidos pelas coisas terrenas, que é difícil em certas ocasiões pensar em Deus como o protagonista da história e da nossa vida”.

Vivemos tão preocupados em ter casas, carros, fortunas, aparência… Ano após ano, vamos acumulando medo de perder, de envelhecer, de morrer… e depois vem a insegurança, as angústias…

Não podemos ignorar que um dia também partimos desta vida. Ninguém escapa. Muitos têm medo de morrer pelo que irão perder. Os outros perdem o medo de morrer pelo que esperam encontrar depois da morte.

Vivemos assim numa encruzilhada entre dois verbos: o “ser” e o “ter”. No final da nossa passagem por este mundo o verbo “ter” revela-se muito pobre, pois não nos é possível levar nada daquilo que acumulamos, consumimos ou parecemos ser ao usar este ou aquele produto de marca. Isto porque, a nossa vida pertence a Deus, que nos chamou à existência, e não ao mercado que nos quer dominar e possuir. O que conta mesmo é o verbo “ser”: o que somos de facto e o que somos na transparência do nosso interior. Na morte seremos o que fizemos de nós mesmos durante a vida terrena. Levo apenas o que sou, eis o que importa.

Quem não crê, crê que a morte é o fim de tudo. Quem crê, crê que a morte é o começo de uma vida de felicidade que nunca termina. Na verdade, a morte é a segunda etapa do nascimento. Uma passagem para a plenitude da vida.   

João Filipe

 
 
 

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